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De Capinópolis para a fama: Plínio, o comediante que conquistou Tom Cavalcante

* Da redação

30 out 2017

O comediante de Minas que ralou muito pra chegar no topo ostenta amizades e respeito de colegas de expressão, como Tirulipa (filho de Tiririca) e Whindersson Nunes, o maior influenciador brasileiro, entre tantos outros

Plínio Gaspar em encontro com Tom Cavalcante: seu padrinho mais famoso e que o projetou para o país | Foto: Arquivo

No canal pago Multishow, do Grupo Globo, o humorista Tom Cavalcante faz sucesso ao emplacar o programa semanal “MultiTom” que já está na segunda temporada, com fôlego para mais umas boas pela frente. Tom voltou para o Grupo Globo em 2015 após uma longa temporada na Rede Record.

Ao lado dele, grandes humoristas, figuras escolhidas a dedo pelo próprio intérprete de “João Cana-Brava”, da “Escolinha do Professor Raimundo”, “Ribamar” do “Sai de Baixo”, “Tompete Justus” de “O Infeliz”, entre tantos outros personagens que marcaram a televisão brasileira vividos pelo multi-mídia Tom Cavalcante, dão vida às divertidas sátiras.

Plínio e os colegas do riso, também amigos pessoais: Whindersson Nunes e Tirulipa, filho de Tiririca | Foto: Arquivo

Caricatos, os operários do riso imitam, exageram nos trejeitos, satirizam as celebridades e políticos de atuações tão cômicas quanto suas sátiras, e fazem a alegria da audiência cada vez mais necessitada de entretenimento gratuito de qualidade como a da televisão em tempos de economia morna que obriga o brasileiro a sair menos de casa.

Em meio às figuras do programa de Tom Cavalcante, está Plínio Gaspar, um mineiro de Capinópolis, no pontal do triângulo mineiro que ralou muito para chegar lá.

Plínio fez locução em rádios de sua cidade natal, em municípios da redondeza, além de ter atuado em Goiás e, em apresentações de companhias de rodeios Brasil afora, mas foi só a partir de sua longa participação no programa do mulherão Ana Hickmann que ele ganhou contornos delineados de artista conhecido da massa.

Fizemos uma entrevista com Plínio Gaspar. Num bate papo descontraído, o artista esforçado que não tem medo de desafios reverenciou os “padrinhos” e deu detalhes de sua trajetória.

Enfoque Triângulo: Plínio, satisfação ter você aqui com a gente… Conta aí, o começo foi barra?

Plínio Gaspar: Então… grande prazer também falar com o Enfoque que é da minha região e que tá presente no cotidiano de tanta gente. Sim, o começo foi muito sofrido, imagino que a maioria deles é assim para todos nessa vida. Eu morava em Capinópolis e fazia trabalhos lá nos anos 1990. Fiz muita coisa, principalmente rádio, uma de minhas grandes paixões.

Plínio com Ana Hickmann, nos anos 2000, quando participou de competição de humor e obteve grande visibilidade nacional | Foto: Arquivo 

Sempre quis estar no meio artístico, mas as dificuldades eram tantas, viu… Nos anos 90 iniciei na locução através da Rádio Sociedade AM 810, de Capinópolis, quando conheci meu grande amigo Márcio Dias, também locutor.

A gente fazia gincanas e rolava muito agito, era algo bem na moda àquela época. Agradeço ao saudoso ex-prefeito de Capinópolis, Cândido Vaz, pela chance que me deu na AM 810.

Foi o meu padrinho, assim como o também saudoso amigo, Nivaldo do Foto, que teve um programa famoso na mesma rádio e que sempre deu uma força muito grande pra mim. Tenho saudade desses grandes companheiros. Fazem muita falta!

Enfoque Triângulo – E depois desse período, você mudou de cidade?

Plínio Gaspar – Sim, me mudei para Goiânia. Lá tive outras grandes oportunidades no dial. Fiz também porta de loja [locução de preços e promoções], trabalhei na “Rádio K” AM do Jorge Kajuru; alguns anos depois segui para a Rádio Sucesso FM. Goiânia me abriu muitas portas, foi difícil, mas tive coragem e soube aproveitar as chances.

Enfoque Triângulo – E a chegada na capital paulista e grande mídia, como foi o processo e quais participações você fez?

Plínio Gaspar – Isso foi no começo dos anos 2000. Participei do “SuperPop”, da Luciana Gimenez, na RedeTV!, e foi uma experiência interessante. Lá fiz minha primeira aparição em rede nacional e venci o concurso de melhor imitador do “Pit Bicha”, criação de Tom Cavalcante que fazia sucesso na época.

Dali em diante vi que era possível seguir no meio e prosperar. Algum tempo depois, fui convidado para participar do Programa “Tudo é Possível”, da Ana Hickmann, no quadro “O Maior Imitador do Brasil”, e obtive a quarta colocação.

Conheci muita gente bacana, cresci como profissional e também como pessoa. Três anos depois, em 2013, fui o campeão do mesmo quadro do programa da Ana. Naquele mesmo ano estive no programa “Máquina da Fama”, de Patrícia Abravanel, no SBT, e fiz uma imitação de alta caracterização. Outra grande experiência frente às câmeras.

Nos anos 90: Rádio Sociedade 810 na cidade de Capinópolis, Minas Gerais | Foto: Acervo pessoal

Enfoque Triângulo – E o Tom Cavalcante? Como ele entrou na sua vida?

Plínio Gaspar –  Bom, é uma história interessante. Eu sempre quis trabalhar com o melhor do humor, claro, o cara é uma referência. Mas isso parecia algo meio distante, inatingível, mesmo assim tomei coragem e fui ao encontro do mestre da comédia Tom Cavalcante.

Foi durante uma ida dele em Goiânia. Descobri em qual hotel ele estava hospedado e lá fui. Consegui encontrá-lo e entreguei em mãos um material meu pra ele, tipo portfólio. Foi na ousadia mesmo! 

Um certo dia, o próprio Tom me ligou e disse que havia gostado do meu trabalho e prometeu que, numa oportunidade breve, seria convidado a trabalhar com ele na televisão. Sinceramente eu não coloquei muita fé, mas já havia valido a pena ter sido elogiado de viva-voz pelo próprio Tom.

Bom, o tempo passou e o dia chegou: fui convidado a integrar o elenco do Programa “MultiTom” na Multishow. Foi muita emoção pro meu coração! Era a realização de mais um sonho, mas dessa vez eu estava num outro nível, lógico.

Hoje estamos na segunda temporada e a terceira deve vir por aí. O Tom é super gente boa, humilde e gosta do meu trabalho. A gente se dá bem na frente e por trás das câmeras. Ele é um cara diferenciado, viu! Quero de público agradecê-lo pelo reconhecimento e projeção nacional. É muito gratificante estar ao lado dele num programa tão bacana e de grande sucesso.

Enfoque Triângulo – Plínio, você é o imitador mais conhecido do também humorista e deputado federal Everardo, o Tiririca. Notícias já repercutiram em órgãos de imprensa dando conta de que ele não estaria dos “mais contentes” com a fama que você obteve com a sátira que vem fazendo dele… Talvez um certo ciuminho. Teve essa treta? Como é sua relação com ele?

Plínio Gaspar – Não preciso dizer da minha admiração por ele, sempre o imitei e admirei. Grande comediante, pessoa, profissional. Mantemos contato e até trabalho com o filho dele, o igualmente humorista Tirulipa. Somos muito amigos e damos boas risadas nos bastidores. Ele nunca me disse nada sobre uma possível ciumeira por imitá-lo… (risos) Tem muita notícia falsa.

Campeão do Olímpiadas do Tudo é Possível, de Ana Hickmann na Rede Record | Foto: Acervo pessoal

Hoje, depois de tantos anos de batalha, olho pra trás e me vejo com 8 anos de idade na barraquinha da igreja de Capinópolis leiloando frangos e sendo incentivado pelos amigos, Jarbas Fontoura, Ibrahim Bechara Younes…

Fui em direção aos meus sonhos e vejo que tudo valeu a pena! Foram amigos que me apoiaram e que foram fundamentais para chegar aonde estou.

Agradeço muito à todos eles de coração, mesmo que a maioria já não esteja mais aqui fisicamente: Cândido Vaz, Nivaldo do Foto, Ibrahim Younes, Jarbas Fontoura.

Agradecimento especial também ao meu grande amigo Marcio Dias, profissional de “alto nível”. Realmente sou muito grato aos anjos que encontrei pelo caminho e que me estenderam as mãos, me fazendo chegar num nível que jamais pude imaginar. Gratidão!