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Tristeza: estudo mostra que 70% dos municípios brasileiros não têm estação de tratamento de esgoto e que rios estão contaminados

Enfoque Triângulo | DDD034 | Da Redação | 21MAR2019 |

Rio Tijuco, no município de Ituiutaba: cerca de 110 mil quilômetros de rios pelo Brasil estão poluídos e não têm nenhum tipo de tratamento | Crédito: Gustavo Maximiano

Setenta por cento dos municípios do Brasil não possuem estação de tratamento de esgoto. Este e outros dados estão do Atlas Esgoto: Despoluição de Bacias Hidrográficas, lançado no fim do ano passado, em Brasília, pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Ministério das Cidades.

O documento fez um mapeamento dos 5.572 municípios do país e revela uma situação alarmante, em que menos da metade dos brasileiros tem solução de esgotamento sanitário. Apenas 39% dos dejetos produzidos são coletados e tratados. Este número está longe dos 60% determinados pela legislação específica do setor.

De acordo com o Atlas Esgoto, mais de 110 mil quilômetros de trechos de rios estão com a qualidade comprometida devido ao excesso de carga orgânica, sendo que em mais de 75% desses trechos não é permitido o abastecimento público devido à poluição.

Os maiores desafios estão concentrados no Norte do país. O atlas revela, ainda, que apenas 14% dos municípios tratam pelo menos 60% do que é coletado, e a maioria desses municípios está localizada na região Sudeste do país.

O então ministro do Meio Ambiente em 2018, Sarney Filho, esteve no lançamento do documento e falou sobre a importância do atlas. Para o agora ex-ministro, conhecer é muito importante para começar a solucionar.

“É uma mistura de problemas, como também uma mistura de soluções. E eu diria que, na água, essas duas vertentes, qualidade e quantidade, hoje, elas têm um peso maior. Quanto menor a quantidade de água, mesmo que mantenha o mesmo nível de poluição, aumenta sujeira. Então, temos de tratar essas duas vertentes. Uma é uma questão que exige mais verbo e ação do que verba, mas a outra, que é do esgoto, essa exige mais verba do que verbo.”

E é justamente a questão dos investimentos na solução dos problemas de saneamento que preocupa o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. Na opinião do especialista, o atlas é um dos melhores estudos feitos sobre saneamento básico no Brasil, contudo, ele traz números assustadores e exige investimento do Estado em todos os níveis.

“Pelo Plano Nacional de Saneamento Básico, o Brasil precisaria investir pelo menos R$ 16 bilhões por ano, e nós nunca chegamos nesse número. No máximo, o que o Brasil investiu foi R$ 12 bilhões, e a nossa expectativa é que esse número tenha caído muito entre 2016 e 2017. Então, nós precisamos voltar aos patamares anteriores da época do PAC, porque, se a gente não investir pelo menos R$ 16 bilhões, R$ 17 bilhões por ano, essa universalização de 20 anos vai para 40 anos, 50 anos, tranquilamente. Esperamos que o atual Governo Bolsonaro encare o problema de frente, mesmo diante das dificuldades que surgem no horizonte econômico”.

De acordo com o atlas, o prazo é de, aproximadamente, 20 anos para se alcançar os objetivos de universalização dos serviços.

 

* Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento – AESBE